Fundo multilateral libera recursos para Brasil proteger camada de ozônio
07/10/2014



O Comitê Executivo do Fundo Multilateral para Implementação do Protocolo de Montreal anunciou no mês de maio último que liberou verba de US$ 1,8 milhão para dois programas do Ministério do Meio Ambiente do Brasil (MMA). Serão beneficiados o Projeto Piloto para o Manejo e Disposição Final de Resíduos das Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (SDOs), e a segunda etapa do Programa Brasileiro de Eliminação de Hidroclorofluorcarbonos (PBH).

De acordo com o MMA, existem no Brasil atualmente mais de 60 toneladas de SDOs sem destinação, recolhidas em operações de manutenção e descarte de produtos de refrigeração. Essa situação será enfrentada por meio da criação de sistemas de armazenamento temporário e adaptação de equipamentos de eliminação com recursos do Fundo Multilateral.

Outra parte do montante liberado pelo FML será aplicada no planejamento das ações do PBH após o ano de 2015. Ao final do próximo ano, o MMA concluirá a primeira etapa do programa, iniciada em 2009. A ação em curso consiste no congelamento do consumo dos hidroclorofluorcarbonos ou HCFCs a partir de 2013 e na redução de 16,6% do volume em PDO (Potencial de Destruição do Ozônio) desses produtos no País.

Um dos produtos visados pelo MMA e pelo Protocolo de Montreal no Programa de Eliminação é o fluido refrigerante HCFC-22, mais conhecido no mercado como R-22. Largamente utilizado nos setores de refrigeração e climatização – nos segmentos residencial, comercial e industrial -, esse produto deverá ser substituído gradualmente até 2040 por novas tecnologias que apresentem potencial nulo de degradação da camada de ozônio, como os hidrofluorcarbonos ou HFCs, por exemplo.

Um dos produtos mais utilizados nos mercados brasileiro e mundial, o R-22, por ser um HCFC, consta na lista de substâncias que degradam a camada de ozônio. Sua importação já é controlada no Brasil, e o seu consumo será reduzido de acordo com as diretrizes do Protocolo de Montreal. Em 2015, com a entrada em vigor de uma segunda diretiva do Ministério do Meio Ambiente, haverá diminuição de 6,51% no limite de volumes de R-22 autorizados para importação no Brasil (definida pelo IBAMA em 2013). Tal medida afetará diretamente a disponibilidade desse produto no mercado, estendendo-se ainda a outros HCFCs: 141-b, 123, 124 e 142b.

No segmento de varejo ou supermercadista, por exemplo, que responde por cerca de 40% do uso de fluidos refrigerantes no Brasil, o R-22 é o fluido mais vazado dos sistemas de refrigeração e ar-condicionado, segundo dados do “Manual de Boas Práticas em Supermercados para Sistemas de Refrigeração”, lançado em 2012, em conjunto, pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras); Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado e Ventilação e Aquecimento (Abrava) e Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Principal fabricante mundial de fluidos refrigerantes, a DuPont comercializa uma linha de produtos alternativa aos HCFCs, com as marcas ISCEON® e Suva®. Em períodos recentes, a companhia tem registrado um crescimento expressivo na comercialização do item ISCEON® MO99, apontado por especialistas como o substituto ideal do R-22. 

De acordo com o gerente de negócios da DuPont Fluidos Refrigerantes para o Brasil, Renato Cesquini, as características e o desempenho de ISCEON® MO99 são similares às do R-22 e outros HCFCs, sobretudo nos sistemas de climatização e refrigeração que trabalham em média e baixa temperaturas.

“Trata-se do produto com melhor balanço entre propriedades ambientais, segurança e facilidade do uso. Não degrada a camada de ozônio e possui potencial de aquecimento global ou GWP até 42% menor que o R-404A, por exemplo”, acrescenta Arthur Ngai, gerente de desenvolvimento de negócios da DuPont Fluorquímicos.

A aplicação de ISCEON® em operações de Retrofit** drop-in tem crescido significativamente no Brasil. Essa operação, muitas vezes, consiste basicamente na simples substituição do fluido refrigerante R-22 pelo ISCEON®, com mínimos ajustes, inclusive sem necessidade de troca do tipo de óleo.

“Os resultados mostram que é excelente o desempenho operacional dos equipamentos com ISCEON® MO99. Na maioria dos casos foram constatados ainda menores temperaturas de descargas e ótimo índice de eficiência energética, sem a necessidade de troca do óleo original dos compressores”, exemplifica Cesquini.

Retrofit no Nordeste – Através de um ciclo de palestras e cursos específicos para profissionais de climatização e refrigeração, a unidade de Fluidos Refrigerantes da DuPont tem disseminado em todo o Brasil mensagens em torno da importância de produtos substitutos aos HCFCs, em linha com os esforços do Ministério do Meio Ambiente e do Protocolo de Montreal. O processo de Retrofit, segundo a companhia, avança de maneira representativa no País.

Na região Nordeste, contudo, distribuidores de produtos e profissionais da área indicam haver registro de um número reduzido dessas operações em comparação ao restante do País.

Segundo Maximiliano Ribeiro, diretor proprietário da empresa especializada MR Refrigeração, de Fortaleza (CE), parece que o mercado local ainda não se conscientizou da restrição aos HCFCs.

Para Ribeiro, a região enfrenta problemas com a falta de mão de obra qualificada para gerenciar compras de produtos, “principalmente no setor supermercadista”, diz. “Somente este ano, em que houve aumento no custo do produto R-22 diante da redução da oferta, algumas empresas começaram a se mostrar preocupadas em saber mais sobre o Retrofit”, destaca. “Por enquanto o que pesa aqui ainda é o custo”, finaliza o diretor da MR.

Diretor administrativo e financeiro da Padron Climatização e Automação, de Recife (PE), além de tesoureiro do Sindratar – Sindicato das Indústrias de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar -, o executivo Flávio Neves informa que sua empresa vem orientando clientes sobre as dificuldades que virão por conta das restrições advindas do Protocolo de Montreal.

“Nas empresas de maior porte já observamos uma mudança de comportamento dos clientes quanto a fazer o investimento e cumprir a legislação; o grande problema ainda é nas empresas menores”, observa Neves. “O Centro de Regeneração Nordeste e o Sindratar são organizações que podem atuar como divulgadores dessa ação”, conclui.

Cesquini aponta ainda que as empresas devem começar a avaliar oportunidades para a substituição do R-22 para que não sejam surpreendidas no período de reduções mais representativas em volume, principalmente após 2020. O Protocolo de Montreal estabelece diretrizes para reduções graduais de maneira a dar tempo às empresas para uma substituição mais planejada. “É de se esperar, também, que os preços tendam a subir com maior limitação da disponibilidade do produto ao mercado”, ressalta.

 

Além do alerta para a preservação da camada de ozônio, é importante lembrar gestores, empresários e profissionais de climatização e refrigeração, sobretudo as empresas que ainda utilizam o R-22 em suas instalações, para que se planejem e façam uma transição sem interrupções em sua operação e a custos compatíveis.  

 



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